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Junho_A.A_ era d'obras # 25
Em meados de Junho os jacarandás de Lisboa estão em flor, a sua luz
fende a pupila, acaricia o dorso da sombra. É então que – sei lá se pela última
vez – a inocência volta a entrar na minha vida. Olhos, mãos, alma, tudo é novo
– recomeço a prodigalizar alegria, uma alegria que não procura palavras porque
o seu reino não é o da expressão. Digamos que esta nova experiência, a que não
quero dar nome, não se preocupa em interrogar, talvez por já não ser tempo de
dúvidas, ou então por não lhe dizerem respeito essas verdades últimas, cegas
como facas.
Não é um poema de obediência o que me proponho nestas linhas; trata-se
de outra coisa: levar à boca fresca do ar o ardor das areias queimadas. Mas sem
palavras, sem palavras.
Eugénio
de Andrade, Vertentes do Olhar
A.A. ~ era d'obras # 21
“FESTA. Generosa, como é sempre a Festa da
J.”
E eu, que
Continuamente [vejo] novidades,
Diferentes em tudo
da esperança
curvo-me à sageza do escrito.
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6 Setembro 2010 - 3 de Março 2011 ~ contentores-monoblocos
Jocardo, poético, hora da despedida lhe chama (RETRATO VIII)
aqui, céptica, interrogo(-me): encerramos, hoje, este capítulo, o dos tempos difíceis?
- e têm sido. indubitavelmente. difíceis tempos.
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