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Arte Têxtil - Guimarães - outubro, 2 e 3










A.A. - Janeiro 2012 - workshop -
- projeto e tecnologias

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- projeto e tecnologias







Junho_A.A_ era d'obras # 25






Em meados de Junho os jacarandás de Lisboa estão em flor, a sua luz fende a pupila, acaricia o dorso da sombra. É então que – sei lá se pela última vez – a inocência volta a entrar na minha vida. Olhos, mãos, alma, tudo é novo – recomeço a prodigalizar alegria, uma alegria que não procura palavras porque o seu reino não é o da expressão. Digamos que esta nova experiência, a que não quero dar nome, não se preocupa em interrogar, talvez por já não ser tempo de dúvidas, ou então por não lhe dizerem respeito essas verdades últimas, cegas como facas.          
Não é um poema de obediência o que me proponho nestas linhas; trata-se de outra coisa: levar à boca fresca do ar o ardor das areias queimadas. Mas sem palavras, sem palavras.

Eugénio de Andrade, Vertentes do Olhar



Janeiro ~Tecendo como deuses**


As mãos são de meninos e meninas do primeiro ciclo que estiveram na escola num workshop 

em que os formadores foram alunos de 11º ano numa aula de Projeto e Tecnologias




 em ambiente de concentração, 

entrega, silêncio, como só as 

crianças sabem fazer quando 

estão apaixonadas por aquilo que 

as ocupa.







Tecem uma estrutura que se 

repete na diversidade da cor.


Como deuses.


Na tragédia grega os deuses brincam assim com o destino dos homens.

Como humanos.




** Texto da Professora Risoleta C. Pinto Pedro em 








março, 21 ~ a árvore, a poesia




com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses

António Ramos Rosa, Cada Árvore é um Ser para Ser em Nós




POESIA


Esta árvore entrou no meu corpo, com as suas raízes

de fogo; devorou-me a alma, com os ramos acesos da

inspiração; corroeu cada canto do meu ser, com as

folhas brancas da sua ânsia; e em cada primavera deu

a flor mais inesperada, com a música das suas pétalas,

e o brilho da imagem que se abre quando o olhar

procura o centro da corola. É uma árvore que não seca,

nem precisa de água; que não perde folhas e flores,

apesar de invernos e outonos; que partilha o dia

com a noite, quando procuro a sua sombra, e é a sua luz

que me enche. Podia ser uma árvore de ar livre; mas

também cresce nos quartos mais obscuros, nas salas

onde se acumula o fumo e a respiração de quem vive,

nas caves onde a luz não entra. Cortam-lhe em vão as

raízes; em vão tentam apagar o seu fogo: nasce do

ser o húmus que a alimenta; corre nas veias a seiva

que a percorre. Mas não cresce sozinha; e é em ti que

encontra a sua terra mais fértil, no frio do inverno,

o ar que a envolve, quando a tua ausência a asfixia,

a água que as suas flores bebem, na aridez do estio. Tu,

com os teus dedos de hera, os teus lábios de pólen,

e o doce musgo de palavras com que envolves o seu

tronco. Árvore partilhada, abrigando as aves do amor,

deixo que os seus ramos se estendam sobre nós,

com o seu canto de nuvem, e o seu eco de floresta.


Nuno Júdice, O Estado dos Campos,

Publicações Dom Quixote, 2003, pp. 110-111





Fevereiro ~ Beira Alta ~ Mondego









"esta acácia florida gera angústia"

Adélia Prado, “Acácias”